VULNERABILIDADE

VULNERABILIDADE: somos suficientes e merecedores

Sempre que eu pensava em vulnerabilidade, me vinha na cabeça questões ligadas a vulnerabilidade social e econômica, no sentido de pessoas desamparadas, desabrigadas, indefesas. Não me passava pela mente o quanto muitas vezes pensei e falei disso, utilizando talvez outros termos, com pacientes e amigos... até o dia que vi uma palestra pela internet de Brené Brown. Então antes de iniciar indico que você veja a palestra dela! Existem vários sites onde você consegue encontrar e esse texto é inspirado em uma dessas palestras.

Você já parou para pensar como por medo de errar e/ou decepcionar os outros, acabamos “vestindo armaduras”, nos tornamos quase que inacessíveis aqueles que nos rodeiam? Pior ainda, vestimos por tanto tempo essas armaduras que ao nos olharmos no espelho não nos reconhecemos mais. A gente acaba se afastando de quem somos, do porque estar aqui, do real significado da vida.

Por vergonha de nos expor, por questões físicas (gorda demais, magra demais, alta, baixa, com espinha, cabelo muito liso, cabelo muito crespo, etc) ou por questões subjetivas (falta de inteligência, falta de criatividade, falta de assunto, falar demais, falar pouco, sem graça, desinteressante,...) acabamos nos escondendo para que as pessoas não descubram a "farsa que somos”. Desconectamo-nos de nós mesmos para tentar nos tornar alguém interessante, alguém merecedor ou simplesmente para que não nos notem.

E notem a grande ironia: Conexão é o motivo de estarmos aqui, é o que nos dá propósito e significado a vida!

Me conectar comigo mesma, para também poder me conectar com os outros de uma forma autentica. E qual seria o caminho para isso? VULNERABILIDADE.

É preciso coragem para abandonar as armaduras e ser quem você é. Ter coragem não significa não ter medo, mas fazer o que é necessário assim mesmo. É estar disposto a fazer algo sem ter garantias do futuro, é se soltar das amarras que o desejo por controlar tudo nos impõe e se permitir ser imperfeito, investir em coisas que podem ou não funcionar, é se dar conta de que não podemos controlar e prever tudo. Alias, podemos controlar e prever quase nada se pararmos para pensar!

Então vulnerabilidade é o centro do medo, da vergonha e da luta por merecimento. Mas também é a origem da alegria, da criatividade, do pertencimento, do amor!

Vivemos em um mundo vulnerável, mas insistimos em anestesiar essa vulnerabilidade em nós. Não a toa, pertencemos a geração que mais sofre de obesidade, dividas,depressão, ansiedade, vícios com drogas licitas ou ilícitas, etc. Não podemos anestesiar apenas o medo, a vergonha, então junto com eles anestesiamos a alegria, a gratidão e nos sentimos infelizes procurando por propósito e sentido.

Além disso, buscamos a certeza em tudo. Até as religiões deixaram de ser uma crença para se tornarem o certo e verdadeiro, excluindo qualquer coisa ou pessoa que não pense ou haja de acordo com seus ideais e certezas. Carregamos culpa como um saco de pedras em nossas costas, que pesam, que nos impedem de fazer e conhecer outros caminhos. Estamos constantemente em busca de uma perfeição, a qual não existe e nos culpamos por não ser ou não ter qualquer coisa que seja.

Existem pessoas que possuem um forte senso de merecimento de amor pertencimento e aquelas que se questionam se são boas o suficiente. O que sustenta essa vergonha? O medo de se permitir ser VISTO, ficar exposto e VULNERÁVEL aos outros.

Sentir-se vulnerável me faz estar vivo, me faz olhar com mais bondade e gentileza para mim e para os outros; faz com que me conecte com quem sou de verdade e com os outros.

Remover a armadura, aceitar e lidar com sua vulnerabilidade, se desfazer do peso da culpa, um processo de autoconhecimento que nos aproxima de quem somos e daqueles que amamos. Merecemos amor e pertencimento. Ninguém merece menos que isso, independente de cor, tamanho, jeito. Independente das nossas imperfeições SOMOS SUFICIENTES e MERECEDORES!

Psicóloga Juliana Lapolli

Atendimento Online e Presencial com TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) e DBT (Terapia Comportamental Dialética).