Autoconhecimento
AUTOCONHECIMENTO: UM EXERCICIO CONTINUO
O momento em que vivemos demanda um conhecimento mais abrangente de nós mesmos. Há muito tempo que o ser humano sabe que existe o autoconhecimento, e este é pesquisado nas mais diversas áreas, mas para que tanto desenvolvimento cientifico se as pessoas continuam a não se sentir bem em suas vidas?
De acordo com minha experiência (pessoal e profissional) um dos motivos está em muita informação sobre autoconhecimento, mas pouca prática no nosso dia a dia.
Para mim, fragmentar significa perder, por exemplo ao separar o foco físico, do foco emocional, valoriza-se um em detrimento do outro. Toma-se o escolhido e joga-se fora o outro, despreza-se o que há de interessante no foco descartado. É preciso repensar as ideias fragmentadoras da realidade.
Enxergar o ser humano como um Todo (físico, cognitivo, emocional e espiritual) faz com que não deixemos de lado uma das partes (afinal todas estão correlacionadas, entrelaçadas e se uma não funciona, em algum momento a outra também dará sinais de falha).
Como Senge (2008, p. 99) afirma: Há alguma coisa dentro de todos nós que adora montar um quebra-cabeça, que adora ver surgir a imagem do todo. A beleza de uma pessoa ou de uma flor ou de um poema reside em vê-los por inteiro. É interessante que as palavras whole (todo) health (saúde) vêm do mesmo radical hal, do inglês arcaico. Portanto, não é surpresa que a falta de saúde do mundo atual seja diretamente proporcional à nossa incapacidade de vê-lo como um todo.
O autoconhecimento é um caminho para identificar e mudar modelos mentais não condizentes com as ações desejadas. Muitas vezes, não temos consciência de nossos modelos mentais ou das influências que eles exercem sobre nosso comportamento.
Os pensamentos funcionam como uma espécie de véu que impede de ver as coisas como realmente são, influenciando a percepção da realidade. Assim, o que é percebido (como gestos, pensamentos, emoções) é quase que instantaneamente avaliado e classificado como bom, mau ou neutro.
Pensamentos supervalorizados e rígidos tendem a levar a pessoa ao sofrimento. Quando pensamos “tenho o dedo podre para relacionamentos”, “sempre estrago tudo”, “nunca serei bom o suficiente”, “as pessoas descobrirão que sou uma farsa”, etc, são exemplos de pensamentos inflexíveis e disfuncionais. É preciso questionar seu pensamento, imaginar outras interpretações ou se existem outras possibilidades, pensar nas evidencias que tenho sobre determinado pensamento para poder modifica-los.
A partir do que pensamos também podemos desencadear emoções com as quais não conseguimos lidar. Reconhecer essas emoções e estabelecer metas para trabalhar com elas podem demonstrar regulação emocional.
As emoções normalmente envolvem impulsos de ação. Assim, o medo envolve um desejo de escapar, a raiva uma vontade de atacar, o amor dos pais um desejo de cuidar, e assim por diante. Aprendendo a lidar com nossas emoções não ficamos reféns do que sentimos.
A relação mais importante em sua vida é aquela que você tem consigo mesmo. Se você está desequilibrado dentro de si mesmo, como pode ter relacionamentos equilibrados com os outros?
O desenvolvimento do autoconhecimento permite ao indivíduo notar que percebe o mundo por meio de seus próprios pontos de vista, e que eles são somente seus e não verdades universais; e é essa consciência que abriga a compreensão das diferenças entre as pessoas.
Um dia um paciente me perguntou em uma das suas ultimas sessões (já estava em processo de alta): e se eu falhar... e se aparecer o problema novamente? Então respondí: A gente não faz terapia para não ter mais problemas ou nunca errar... se assim fosse nós psicólogos seriamos mágicos! Faz-se terapia para aprender a lidar com esses problemas de uma forma mais leve, mais assertiva, menos dolorosa,... faz-se terapia para aprender a estar atentos a nós mesmos e esse é um exercício para a vida toda!
SENGE, P. M. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. 24. ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2008.