PSICOPATOLOGIA E TRANSTORNOS MENTAIS

PSICOPATOLOGIA E OS TRANSTORNOS MENTAIS: uma breve introdução

Psicopatologia é um campo de estudos que se ocupa do sofrimento psíquico, buscando compreender o sofrimento mental e emocional.
No inicio a psicopatologia era baseada na psicopatologia dinâmica, ou seja um modelo psicanalítico. Na década de 80 a psicopatologia ateórica ou descritiva mudou a forma de enxergarmos os transtornos mentais e na atualidade é a mais aceita pela ciência.


A psicopatologia descritiva é um campo da psicologia que se dedica à identificação e classificação dos transtornos mentais, contribuindo para a prática clínica e para a pesquisa em psicologia. Por isso, é uma ferramenta fundamental para o diagnóstico preciso e o desenvolvimento de tratamentos eficazes para os transtornos mentais. 


Infelizmente, ainda hoje, não temos nenhum tipo de exame para o diagnostico dos transtornos mentais.

DSM 5 TR (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) define os transtornos mentais como o conjunto de sinais e sintomas caracterizados por uma perturbação significativa na cognição, regulação emocional, no comportamento de um indivíduo que reflete a disfunção dos processos psicológicos, biológicos ou do desenvolvimento subjacentes ao funcionamento mental. Estamos falando de algo que tem intensidade frequência causar prejuízo na vida da pessoa. De acordo com essa definição são frequentemente associados a sofrimento ou a incapacidade significativos que afetam as atividades sociais, profissionais e de relacionamentos, além de outras atividades importantes da vida.


Antes de continuar falando sobre os transtornos mentais, é importante que você leitor conheça a diferença entre os termos: Doença, Transtorno e Síndrome. Para aqueles que achavam que era tudo a mesma coisa, se enganaram.

Doença, Transtorno e Síndrome são termos que podem ser confundidos, mas que se referem a diferentes estados ou comprometimentos da saúde. 

Na doença conhecemos o curso (como o paciente evolui nesse quadro), o prognostico (o que pode acontecer) e a etiologia (origem do quadro).

Na Síndrome (conjunto de sinais e sintomas) não conhecemos o curso (do problema), nem o prognostico (o que pode acontecer), nem a etiologia (a causa).


No transtorno conhecemos o curso e o prognóstico, sabemos como a doença vai evoluir, se manifestar e o que esperar (melhoras, se tem mais probabilidade de remitir ou menos), mas não as causas. Nos transtornos mentais não conhecemos a etiologia, mas sabemos que é multifatorial, ou seja vários fatores fazem com que um paciente tenha um transtorno mental.


No passado chamávamos de Síndrome do Pânico pois não se conhecia curso, prognostico e etiologia. Com o tempo ela foi melhor estudada e chamamos atualmente de Transtorno do Pânico.


A causa multifatorial significa que existe uma serie de elementos, que somados e associados a um ambiente vulnerável, acaba favorecendo o desenvolvimento e manutenção de um transtorno mental.


Muitas vezes buscamos explicações causais, que são mais fácil de compreender. Por exemplo, se eu perder um ente querido necessariamente terei depressão. Mas isso não acontece dessa forma, apesar dessa situação ter importância e poder servir como um gatilho, contribuindo para o desenvolvimento de um transtorno mental. Esse acontecimento pode ter correlação e contribuir para que a pessoa entre em depressão, mas todos que perdem um ente querido terão depressão? A resposta é não.


O TEPT (transtorno de estresse pós-traumático) é causado por um evento traumático (abuso, assalto, sequestro, etc), que serve como fator desencadeante. O trauma ali causado pode se transformar em um transtorno, mas não obrigatoriamente. Diversos outros fatores contribuíram para o desenvolvimento do transtorno .


Entre as causas multifatoriais estão os aspectos biológicos e genéticos, existem evidencias solidas que herdamos certas tendências, mas isso não significa que essa vulnerabilidade genética causa o transtorno. Acontecimentos estressantes e outros fatores como o estilo de vida podem ativar e desencadear determinado transtorno.


Atualmente, um corpo de evidências emergente sustenta elementos comuns na etiologia dos transtornos mentais. Tais evidências compõem o modelo etiológico chamado de “tripla vulnerabilidade”, as quais interagem entre si e são relevantes no surgimento de um transtorno: vulnerabilidade biológica geral, vulnerabilidade psicológica geral (ou personalidade), e vulnerabilidade psicológica específica que surgem das primeiras experiências de aprendizagens (e ao ambiente em que a pessoa vive e interage).

Muitas pessoas já me perguntaram em relação a cura para os transtornos mentais. Então gostaria de explicar a você leitor que falamos em remissão parcial ou total. Mas o que isso significa?


Remissão significa que o paciente deverá continuar colocando em pratica todas as coisas que o protegem de voltar a ter um quadro como aquele (por exemplo de ansiedade). Não temos como garantir que nunca mais haverá um quadro de ansiedade ou depressão, assim como não controlamos o ambiente, podendo ocorrer novas situações desencadeantes futuras. Mesmo quando falamos de remissão total (que significa retorno a funcionalidade e não cura), dependendo da gravidade do transtorno podemos ter uma expectativa do que acontecerá com o paciente que esta sendo tratado.


Assim, em alguns transtornos mentais teremos remissão parcial ou total, temos o prognostico do que acontece se o paciente fizer o tratamento correto ou não, mas não temos como garantir que determinado episodio nunca mais ocorrerá.


Existe muita polemica e mitos acerca dos transtornos mentais. Portanto entende-los, fazer uma avaliação e diagnostico corretos do paciente (ou buscar um bom profissional para isso), é sem duvida essencial para que o tratamento seja correto.

Psicóloga Juliana Lapolli

Atendimento Online e Presencial com TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) e DBT (Terapia Comportamental Dialética).